FESTIVAL RECOMEÇO
A Orquestra do Distrito de Braga integra a programação do Festival Recomeço com dois concertos:
- BRAGA | 17 set 26 | 21h30 | Salão Medieval
- GUIMARÃES | 19 set 26 | 21h30 | Centro Cultural Vila Flor
Duração: cerca de 70 minutos.
Nota: nas obras compostas por diversos andamentos, agradecemos que os aplausos sejam guardados para o final de cada obra.
P R O G R A M A
Claude Debussy – Petite Suite (orquestração de Henri Büsser) – 15 min.
- En bateau
- Cortège
- Menuet
- Ballet
Arthur Honegger – Pastorale d’été – 10 min.
Ludwig van Beethoven – Sinfonia nº 7 em Lá Maior, Op. 92 – 45 min.
- Poco sostenuto – Vivace
- Allegretto
- Presto
- Allegro con brio
DIREÇÃO: Diogo Costa
COMPOSIÇÃO DA ORQUESTRA
Primeiro Violino: Matilde Araújo (Concertino), Inês Cruz, Andriy Stepansky, João Inácio, Ricardo Antunes, Ricardo Parente.
Segundo Violino: Francisco Madureira, Iakov Arutyunyan, Bernardeta Gliozyté, Ângela Neves. Pilar Martins.
Viola: Catarina Gonçalves, Ângela Teles, Mariana Coelho, André Teixeira.
Violoncelo: Miguel Braz, Joana Teixeira, André Carriço.
Contrabaixo: Sofia Gomes, Gonçalo Lopes.
Harpa: Carlota Monteiro.
Flautas: Bruno Silva, Mariana Portovedo.
Oboé: Pedro Teixeira, Sara Moreira.
Clarinete: Mário Apolinário, Alcina Azevedo.
Fagote: Sandra Ochoa, Pedro Travanca.
Trompa: Paulo Teixeira, Emanuel Silva.
Trompete: Carlos Sampaio, Flávio Pereira.
Percussão: Beatriz Martinho, Bruno Carvalho.
ORQUESTRA DO DISTRITO DE BRAGA
Fundada em 6 de novembro de 1992 por iniciativa do Maestro António Baptista, a Orquestra do Distrito de Braga (ODB) desenvolveu, ao longo de mais de três décadas, uma importante atividade artística e cultural, criando oportunidades para jovens músicos e contribuindo para a formação de públicos e para a divulgação da música clássica na região. Após a interrupção provocada pela pandemia, a atividade foi retomada em 2022, com uma nova visão artística e a criação do Coro do Distrito de Braga. Desde então, a ODB tem apresentado um vasto repertório, envolvendo obras de grandes compositores nacionais e internacionais, e colaborado com diversos maestros e solistas. A associação tem também reforçado a sua dimensão educativa e comunitária através da Jovem Orquestra do Distrito de Braga, do Coro Participativo e, desde 2026, do Coro Aberto do Distrito de Braga, projeto inclusivo que reúne participantes de diferentes origens e experiências. Paralelamente, desenvolve um projeto de recuperação e divulgação de partituras históricas do arquivo do Seminário Conciliar de Braga, contribuindo para a preservação do património musical. Atualmente, a ODB organiza a sua atividade entre a Área Profissional, que integra a Orquestra e o Coro do Distrito de Braga, e o Serviço Educativo, que inclui a Jovem Orquestra, o Coro Aberto, o Coro Participativo e o Departamento de Recuperação de Partituras e Património Artístico. A Orquestra e o Coro têm atualmente a co-direção artística do Maestro Diogo Costa e da Maestrina Inês Teixeira, mantendo como missão promover a criação artística, a formação musical, a participação da comunidade e a valorização do património cultural.
Parceiros da Orquestra do Distrito de Braga:
Universidade Católica – Centro Regional de Braga
Escola Secundária Sá de Miranda
Sons do Clássico – Instrumentos Musicais, Lda.
DIOGO COSTA
Nascido em 1989, Diogo Costa é um maestro português cuja atividade se caracteriza pela versatilidade e por um repertório que abrange da música antiga à criação contemporânea. Ao longo da sua carreira, dirigiu importantes orquestras nacionais e internacionais, entre as quais a Hallé Orchestra, a Filarmónica da BBC, a Orquestra Nacional de Gales da BBC, a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e a Orquestra Sinfónica Portuguesa. A Ópera assume também um papel relevante no seu percurso, tendo trabalhado com maestros como Lorenzo Viotti e David Azagra e estreado-se como maestro principal no Operafest Lisboa. Finalista do Mackerras Fellowship da Ópera Nacional de Inglaterra e semifinalista da Siemens Hallé International Conducting Competition em 2020, concluiu com distinção a pós-graduação em Direção de Orquestra no Royal Northern College of Music, em Manchester. Atualmente, é Diretor Artístico e Maestro da Banda de Música de Antas, professor de Orquestra na Escola Profissional Artística do Alto Minho e Co-Diretor Artístico da Orquestra do Distrito de Braga.
NOTAS SOBRE O PROGRAMA
Arthur Honegger – Pastorale d’été Honegger, que viveu entre a Suíça e a França, é conhecido hoje como parte do “Grupo dos Seis”. Na França dos anos 1920, este grupo propunha o ideal de uma música acessível a todos e ligada de alguma forma ao quotidiano (ainda que, na verdade, os membros do grupo tivessem mais divergências artísticas que elementos em comum). Não será por acaso que Pastorale d’été tende a ser apontada como a obra mais “debussiana” de Honegger: mais uma vez, encontramos neste poema sinfónico uma “pintura” musical de uma paisagem plácida. Mas se a Petite Suite de Debussy nos sugeria a atmosfera langorosa e quente de noites estivais, Honegger propõe-nos antes, aqui, uma madrugada de Verão. Composta em 1920, Pastorale d’été foi inspirada por uma estadia de Honegger nos Alpes suíços e representa um amanhecer nas montanhas – que, com alguma boa vontade, poderíamos transpor para um cenário campestre minhoto. Após o início discreto nas cordas graves, junta-se o motivo pastoral de uma trompa, e, mais tarde, cantos de pássaros dispersos pelos sopros. Na segunda secção da obra, todo este mundo campestre acorda num frenesim de atividade para, não muito depois (demasiado calor, talvez) se acalmar de novo, regressando à tranquilidade amena do final de dia. E, com a frescura, voltam os pássaros.
Claude Debussy – Petite Suite (orquestração de Henri Büsser) Apesar de ter sido originalmente composta, em 1889, como uma peça para piano a quatro mãos, esta suite foi orquestrada vinte anos mais tarde pelo maestro Henri Büsser. São, portanto, dele as cores orquestrais que tanto fazem para pintar esta sucessão de pequenos quadros. A aparente simplicidade e acessibilidade da Petite Suite (sobretudo em comparação com as experiências mais modernistas em que Debussy já se aventurava na altura) faz com que seja frequentemente descrita como uma peça encantadora mas “menor” na obra do compositor. E, no entanto, não devemos subestimar a capacidade da Petite Suite para despertar imagens vívidas e cenários imaginários. Os andamentos da suite foram inspirados por poemas do compêndio Fêtes Galantes, do poeta francês Paul Verlaine, que nos remetem para um mundo fantasiado e sedutor de festas da aristocracia francesa no século XVIII – para referências visuais, podemos pensar nos quadros de Fragonard ou Watteau. Reencontramos as cores suaves e pinceladas delicadas desses quadros na Petite Suite. O primeiro andamento, “En Bateau”, situa-nos num barco em águas calmas, com uma melodia lânguida na flauta e um acompanhamento na harpa que sugere um ondular sereno. Segue-se “Cortège”, algures entre a festa e a procissão, com uma formalidade inicial enganadora que não tarda a irromper em júbilo. “Menuet” evoca uma dança antiga, tingida contudo por uma melancolia terna que sugere, talvez, um salão aristocrático um tanto adormecido. Mas os nobres logo acordam para a energia festiva de “Ballet”, que fecha a Petite Suite com um bom-humor cintilante. Tal como os próprios poemas de Verlaine, a música de Debussy prefere a insinuação subtil à declaração assumida, e deixanos todo o espaço de que precisamos para imaginar a “festa galante” que nos faria sentido hoje – com menos perucas, decerto, mas mantendo, porque não? um belo passeio de barco.
Ludwig van Beethoven – Sinfonia nº 7 em Lá Maior, Op. 92 As tentativas teimosas de abstrair a música do contexto político e social em que surge de pouco nos valeriam com a 7ª sinfonia de Beethoven. Foi composta ainda durante as guerras Napoleónicas (a sua estreia, em 1813, deu-se num concerto em benefício de soldados austríacos feridos no confronto). Esta sinfonia é, de certa forma, o culminar de uma transformação radical da imagem que Beethoven tinha de Napoleão: de herói iluminado a déspota arrogante. Se virmos esta sinfonia como uma revolta e reação contra o autoritarismo vanglorioso, fica justificada a relevância da sua programação em 2026. Após uma introdução grandiosa, o primeiro andamento irrompe num motivo de dança com uma energia contagiante – energia, aliás, que permeia toda a sinfonia, com um ímpeto arrebatador que a caracteriza do início ao fim. O segundo andamento é, sem dúvida, o mais conhecido da sinfonia: o que parece a início ser uma marcha solene, rapidamente revela uma repetição obstinada de um motivo – uma assombração, quase – que se adensa gradualmente até deflagrar em apoteose. As melodias memoráveis aqui tecidas insistentemente sobre harmonias inesperadas terminam, na verdade, no mesmo acorde enigmático com que o andamento começa. Coisa rara nas sinfonias, é este andamento mais lento que mais cativou ouvintes ao longo dos tempos: na própria estreia, aliás, os aplausos do público foram tão retumbantes que teve de ser tocado novamente. Se observamos hoje a convenção de não aplaudir entre andamentos, este episódio histórico sugere que, se alguém porventura aplaudir, provavelmente não morrerá ninguém. O dinamismo e vitalidade do início da sinfonia, com alusões a ritmos de danças, regressam no terceiro andamento com um otimismo exuberante. Mas o quarto e último andamento, com uma energia avassaladora, varre tudo pela frente – para usar uma expressão pouco técnica que, porém, descreve a ebulição musical que aqui sentimos. O frenesim com que o andamento se lança, arriscando desde o princípio cortar respirações, intensifica-se em repetições e reviravoltas de um tema principal, num delírio que nunca descura uma precisão rítmica implacável. Toda a sinfonia, com o seu final triunfante, sugere o antídoto perfeito para tempos turvos e conturbados: um júbilo quase feroz, uma alegria indomável.
Notas de programa: Júlia Durand



